quarta-feira, 22 de dezembro de 2010

Na roça, um monte de vacas no pasto, o Davi aponta e diz: "Mãe, olha, vaca fêmea!"

Deus entrou na história

O Davi falou uma coisa feia e eu disse, muito séria: "Que feio Davi! Bate na boca! Pede perdão a Deus!". Ele ficou me olhando... Eu esperava que ele fosse me perguntar o que é perdão, já que era a primeira vez que eu dizia esta palavra a ele.
Daí há uns dois dias eu falei uma palavra feia perto dele. Ele, mais que depressa, me disse, sério: "Que feio mamãe! Bate na boca! Pede cordão pra Deus!"

Por falar em Deus, o Davi sempre reza antes de dormir. É o Santo Anjo e o Anjinho, Anjinho. Toda noite. Então um dia ele perguntou: "Mãe o que é Amém?" Eu tentei explicar de diversas formas, mas ele não está satisfeito. Tenho certeza de que esta dúvida eu não respondi, porque volta e meia esta pergunta volta à tona.

Amém.

sábado, 18 de setembro de 2010

Birra do banho

Outro dia Davi deu a maior birra no banho. Birra mesmo, daquelas bem escandalosas. Chorou, me xingou, gritou... foi um horror. Custei a acalmá-lo e quase perdi a paciência eu também. Quando passou a tempestade ele mesmo reconheceu: "Eu tava bravo". "Por que Davi?", perguntei aflita pra entender o motivo de tanto choro. "Porque eu não queria deixar você lavar eu". Rápido e simples assim.

Amanda

Minha irmã veio prá cá com a filhinha dela, Amanda, recém-nascida. Ficou alguns dias e o Davi acompanhou a novidade de perto. Eu, de brincadeira, falei com o Davi que ia fazer o almoço pra todo mundo, "Pro Davi, pra Tia Cláudia, pra Amanda..." E perguntei: "A Amanda come, Davi?". E ele prontamente respondeu: "Não, ela só fica quietinha olhando".

Palavrinhas

Como o Davi me chama: "mamãezinha", "bebezinha", "gatinha"... Outro dia, ele inovou: "minha mãeguinha"
Ele pra mim é "meu tituquinho", "príncipe", "meu amor", "bezerrinho"...

Unimed!

Fui fazer um plano de saúde para o Davi. Ele foi comigo ao escritório. Deve ter ouvido eu comentar com alguém que finalmente ele agora tem plano de saúde. Afinal já passamos por momentos difíceis tendo de esperar horas pra ser atendido no hospital pelo SUS. Só que antes eu não tinha a grana pra pagar mensalmente por um plano de saúde. Resolvida a questão o Davi também chegou às suas conclusões e a babá dele veio me contar: "Eu falei com o Davi que ele não podia ficar descalço porque ia ficar doente e ele me disse que se ele ficar doente não tem problema porque agora ele tem Unimed!"

Carne

Outro dia à mesa da cozinha Davi perguntou: "Mãe, como faz pra tirar a carne do boi?". Eu respondi na lata: "Tem que matar o boi, filhinho!". O Davi, quase chorando: "E pra tirar a carne do porquinho, como que faz?". A gentil mamãezinha aqui:"Tem que matar o porquinho, filhinho.". O Davi começou a chorar: "Não pode não, não quero mais carne!".
...
...
Eu sou (quase) vegetariana.

terça-feira, 10 de agosto de 2010

professorzinho

Fomos soltar pipa na pedreira desativada que tem aqui perto de casa. Eu, Davi e meu irmão Marcelo. Pouco depois que chegamos um mendigo que estava por lá veio puxar conversa e pedir dinheiro. Ele falou: "eu moro aqui, memo!" e o Davi, na mesma hora, corrigiu: "não é memo, é mezzzmo". E foi assim durante toda a conversa do sujeito que ignorou o Davi enquanto ele insistentemente o corrigia.  Eu tive de me segurar.
Não satisfeito, o Davi falou para o mendigo: "não pode andar descalço".
Claro que ele estava repassando para o mendigo o mesmo que nós corrigimos nele. Afinal se o Davi não pode falar errado nem andar descalço, porque outra pessoa poderia? Nem tentei explicar...

Mãe

De uns tempos pra cá o Davi começou a me chamar de mãe! Antes era mamãe e era mais infantil. Então ele começou de uma hora pra outra a me chamar apenas de mãe. É engraçado porque assim, mais curto, parece que fica mais fácil e no final de cada frase tem um "mãe". "Vamos ver DVD, mãe?". "Quero fazer xixi, mãe". "Vamos brincar, mãe?". "Tô com fome, mãe". Eu achei estranho e lindo! Agora já me acostumei. E ele também já está colocando "mãe" no início da frase: "Mãe, você vai trabalhar?".

Leãozinho

Em BH fomos à Feira Hippye onde comprei um fantoche de leãozinho pro Davi. Ele adorou e instantaneamente (ou instintivamente) aprendeu a manusear o brinquedo. Saiu caminhando entre as pessoas com o fantoche na mão e imitando urro de leão. O problema é que esse leãozinho estava faminto e mordia todo mundo o que ocasionou não poucas reações assustadas, principalmente de mulheres, que se viam de repente tocadas na altura da bunda! O jeito foi eu ir avisando: "cuidado com o leão gente, que ele é bravo!". A maioria das pessoas levou na brincadeira e o Davi acabou fazendo sucesso.

"Quero entrar na sua barriga, mamãe!"

O Davi andou encafifado com a questão da gestação! É que a minha irmã (madrinha dele) estava grávida e o Davi aprendeu então que a barriga fica grande e lá dentro tem um bebezinho. Exatamente como foi com ele. Ah, foi um tal de querer voltar pra barriga da mamãe. Esticou um monte de blusas minhas, entrando debaixo delas e ficando todo encolhidinho como se fosse um bebê. E não bastava ficar lá não, eu tinha que andar também!
Agora que minha sobrinha nasceu ele sossegou um pouco, mas ainda pede pra voltar pra minha barriga de vez em quando!

no Zoo

Pensei que o Davi ficaria todo animado ao ver a girafas, os elefantes... Ele até gostou, mas não foi aquela empolgação. Animado mesmo ele ficou quando visitamos o aquário com peixes típicos do rio São Francisco. Assim que entramos o Davi começou a correr e a gritar: "mamãe vamos pescar, vamos pescar. Pega uma vara, mãe! Vamos pescar". E corria de uma lado para o outro, em êxtase com tantos peixes de tantos tamanhos diferentes....
Aliás, quando vejo o quanto esse menino gosta de tudo que se relacione a pesca, penso até que deve ser coisa de outra encarnação. Sei lá, vai ver ele foi pescador, ou morou à beira mar...

segunda-feira, 26 de abril de 2010

Hortênsia!

Hora do almoço. Minha mãe conversava com os adultos (não com o Davi!):
- "A hortênsia lá da roça está uma beleza. Não sei porque, a de lá vai pra frente. A daqui não!"
O Davi, ouvindo aquilo, deu sua opinião no assunto dos adultos dizendo:
- "A daqui vai pra trás!"

A gente não pode lembrar disso que começa a rir, afinal, se não vai pra frente só pode ir pra trás não é mesmo? Ele está certíssimo. Como sempre!

terça-feira, 13 de abril de 2010

Escolinha

O Davi começou a frequentar a escola no início do ano. Em fevereiro, pra ser mais exata. Na primeira semana de aulas ele chorou todos os dias quando o deixei lá. A partir da segunda semana eu conversei com ele abertamente. Disse que era bom pra ele ir à escola, que a mamãe voltaria depois para buscá-lo e que ele iria ficar com a Flávia (a professora). Ele chorou menos e no terceiro dia da segunda semana já se despediu de mim na maior tranquilidade, dando tchau e beijinho. Fiquei emocionada em ver meu bebê agindo como um menininho! Agradeci muito a Deus por presenciar aquele momento.
Três meses depois o Davi já está completamente adaptado. Ele adora a escolinha. Participa ativamente de tudo, é popular entre as professoras e entre os coleguinhas de sala e, segundo a própria professora dele me falou hoje, é um "aluno" excelente. "Ele não dá trabalho! Me ajuda na sala, participa de tudo, adora fazer as atividades em sala... É super interessado nas estorinhas, ele fica olhando, prestando atenção, parece que fica viajando na estória!", me contou a professora em uma conversa casual entre nós quando fui buscar o Davi. É tão bom para uma mãe saber disso! Fiquei tão feliz!
Me lembro de quando fui fazer a inscrição do Davi nessa escola. Pedi muito a Deus que o protegesse, que ele tivesse muitos momentos felizes, muitas descobertas interessantes, que fizesse muitos amigos, enfim, que o tempo dele ali naquela escola fosse realmente muito feliz e abençoado. E ao que parece, Deus está atendendo ao meu pedido.
O Davi é tão popular! Todas as professoras sabem o nome dele! Todas fazem questão de cumprimentá-lo! O porteiro o cumprimenta pelo nome. Os coleguinhas são loucos pelo Davi! Na reunião de pais, logo no início do ano, a mãe de um dos coleguinhas (Álvaro) comentou que o filho dela só falava no Davi. A mãe de outro menino (Piero) também disse que o único coleguinha que ele sabia o nome era o Davi. Já a mãe de uma coleguinha (Nicole) disse que ela (a mãe) é que falava muito do Davi (eles são vizinhos nossos) para a filha dela pois o Davi é uma menino que sabe de tudo, que fala de tudo, que é tão inteligente! E tem mais: uma coleguinha dele (Manuela) não pode ver o Davi quando estamos chegando juntos que começa a gritar o nome dele e já vem correndo pra perto de nós.

quarta-feira, 17 de março de 2010

Bililiu!

Outro dia eu estava fazendo xixi e o Davi foi ao banheiro e ficou me olhando. De repente ele falou: -"Mamãe, vou fazer um bililiu pra você, viu?"
-É mesmo?
-É. Vou colocar na "lilica".
-E como você vai fazer isso, filho?
-Vou furar com a furadeira!

terça-feira, 16 de março de 2010

Conto de terror!

O Davi me chama para o sofá da sala todo animado. -"Mamãe, vem cá que eu vou te contar uma historinha!" Assim que nos sentamos ele começou: -"Aí, o boi comeu o outro boi!".
- Mesmo Davi? E aí?
-Ele comeu a cabeça dele!
-Mesmo?!? E aí?
- Aí ele jogou a cabeça dele fora!
-Nossasinhora Davi! Que história! E o que aconteceu com o boi?
Percebendo que eu havia ficado um pouco chocada, ele tentou amenizar:
-Aí o doutor veio e passou remédio nele!
- E quem é esse doutor? Perguntei pensando que ele falaria o nome do pediatra dele, mas eu juro que ouvi: -"É o doutor Bode!"

segunda-feira, 1 de março de 2010

Língua solta!

Outro dia eu estava conversando com duas mulheres em uma pracinha perto de nossa futura casa enquanto o Davi brincava ali por perto. Ele se aproximou, apontou para as mulheres e disse, se referindo à cor da pele delas: "- Preta!"  "- Preta!". Para não criar nenhum constrangimento (apesar de acreditar que isto não seja causa para constrangimento, afinal ele não foi racista ele apenas estava comunicando o que estava vendo) eu fingi que nem ouvi e continuei a conversa. Então o Davi entrou no meio de nós, apontou para mim e disse: "- Laranja!"; Depois apontou para ele mesmo e disse: "- Laranja!". Eu o peguei no colo e disse: -É filho, é isso mesmo!. Dei um beijinho e falei, vai brincar vai... Mas a minha vontade foi de rolar de rir afinal eu não sabia que minha cor era laranja aos olhos dele!

Nesta mesma pracinha, em um dia de manhã bem cedinho, não havia ninguém lá além de nós. De repente apareceu um homem mal encarado, esquisito, ficou olhando pra gente um tempão. Eu fui pra entrada de uma das casas e puxei o Davi comigo pois qualquer coisa eu iria chamar os vizinhos. Falei pro Davi: - "Fica quietinho aqui com a mamãe filho que passou um homem esquisito olhando pra gente." Daí há pouco o homem volta. Enquanto ele estava passando o Davi apontou e falou bem alto, me avisando: - "Mãe olha lá o homem esquisito!"

sexta-feira, 26 de fevereiro de 2010

Beijo na TV

O Davi não assiste TV à noite. Ele dorme cedo e tem mais o que fazer no período noturno - como brincar, tomar banho e jantar - antes de dormir. Mas a TV brasileira pega desprevenido qualquer telespectador. Outro dia, pela manhã, minha irmã assistia TV e o Davi viu uma propaganda de um curso de inglês na qual um rapaz beijava sem parar uma moça porque ele não sabia falar a língua dela. O beijo era demasiadamente longo e teatralmente exagerado. O Davi ficou com os olhos grudados na televisão e bem arregalados. Eu e minha irmã já estávamos esperando pelo resultado quando o Davi apontou pra TV e soltou: "Ele está comendo a mulher!"

segunda-feira, 7 de dezembro de 2009

Comunicação!

O Davi está treinando uma técnica infalível de comunicação. Utiliza palavras diferentes e observa a reação das pessoas. Catalogadas as palavras que se casam com determinadas reações, ele as utiliza para conseguir o que quer, quando quer e da forma que quer!
Por exemplo: Ele fala para mim, ou para a minha irmã, titia Michelli com quem ele convive bastante: "A titia (ou mamãe) é bonita!" Claro que nós nos derretemos e sorrimos e ficamos dengosas com o elogio vindo de forma tão carinhosa. Então ele diz em seguida: "A titia (ou a mamãe ou quem seja) é feia", ao que nós reagimos fazendo cara de triste e falando que ele deve pedir desculpas e que não se fala assim com as pessoas. Além dos adjetivos, o Davi também muda a entonação da voz. Para palavras carinhosas ele fala com um tom mais suave e uma voz mais carinhosa, para palavras mais "grosseiras" fala com voz mais grossa e tom mais ríspido. Então quando ele nao quer alguma coisa ele pode dizer, por exemplo: "Davi não vai escovar dente, não vai, mamãe feia!" já quando quer alguma coisa ele usa diminutivos, por exemplo, ou  adjetivos elogiosos: "Mamãe rainha pega água pro Davizinho, mamãezinha, por favor!"

Massagem

Adotei um novo ritual para a hora de colocar o Davi pra dormir: música tranquila (piano, mantras...) e massagem. Ele adora. Quando não dá tempo de fazer massagem em todo o corpo eu faço apenas nas costas - bem suave para não agredir os músculos e coluna. Acredito que metade dos problemas do mundo seriam reduzidos se as mães fizessem massagem em seus filhos. Utilizo um creme para crianças, quase sem aroma e bem fluido, e sigo as orientações da Shantala, com adaptações de outras técnicas que conheço (Reflexologia, Shiatsu e Aiurvédica).
Termino a massagem com leves arranhões nas costas, bem levinhos mesmo de forma que ele fica arrepiado. O Davi se entrega ao sono rapidinho e dorme com uma expressão de tranquilidade tão bonita! Antes de dormir ele já pede: "Faz arrepiadinho mamãe!"

Anjos

A vida tem sido tão boa! O relacionamento meu e do Davi é tão harmonioso! Mesmo quando temos nossos desentendimentos - ele às vezes é birrento eu às vezes, impaciente - sempre fazemos as pazes com um abraço e pedidos de desculpa. Me sinto honrada por Deus ter me dado o presente de ser mãe deste menino tão especial.
Ele está cada vez se desenvolvendo mais. Já conversa com uma fluência e com respostas tão articuladas que chega a assustar. É um privilégio poder desfrutar deste contato tão próximo com o Davi. Não que eu acredite que ele seja melhor do que outras crianças, ou superior em algum sentido. Acredito que ele pertence a uma geração iluminada por Deus - tenho convicção de que estamos diante de um fenômeno de milhões de anjos encarnados para guiar mansamente a humanidade rumo à espiritualidade, amor ao próximo e harmonia com a natureza, paz, solidariedade, além de muitas outras coisas as quais nem imaginamos.

domingo, 15 de novembro de 2009

Pérolas resumidas

Não estou com muito tempo para registrar os momentos incríveis que estou vivendo com Davi. Vou relatar então, muito rapidamente, algumas pérolas:
  • No sítio (que chamamos simplesmente de "roça") de nossa família, após brincarmos um tempão debaixo de uma mangueira pequena - uma árvore ainda novinha mas que já tem uma sombra deliciosa - eu falei: "tchau árvore" e dei um beijinho no tronco. Ao que o Davi reagiu abraçando a árvore e dizendo antes de também dar um beijo: "Te amo árvore!". E nós fomos para a casa enquanto eu pensava que os frutos desta mangueira serão mesmo deliciosos!
  • Ainda na 'roça'. Tive de ensinar ao Davi a artimanha de comer jabuticabas, pois ele estava engolindo a fruta inteira, com casca e semente. Como é simples realizar o ato e como é complicado ensinar passo-a-passo. O Davi estava se deliciando. Queria comer jabuticaba o dia inteiro. Foi lindo vê-lo pegando as frutas e saboreando. Ao final foi a técnica dele que venceu, pois engolindo tudo não há perigo de ficar "entupido" apenas com os caroços. Vivendo e aprendendo.
  • No restaurante. Coloquei alguns grãos de milho verde na colher e dei para o Davi dizendo: "Toma filho, milho verde!". Ao que ele retrucou prontamente: "É milho amarelo mamãe!". E não é que ele está certo?!!
  • Por falar em restaurante, outro dia encontramos com alguns colegas que faziam o curso de Florais comigo e nos juntamos para almoçar na mesma mesa. O Davi, claro, foi o centro das atenções, brincando com todos e fazendo gracinhas. O ponto alto foi a admiração dos adultos em ver uma criança tão entusiasmada para comer verduras. Em um certo momento o Davi pegou um ramo de couve-flor, o apresentou para as pessoas com voz de triunfo e alegria: "Couve-flor!" e literalmente devorou o ramo logo em seguida. Aliás, o Davi adora vegetais. Come de tudo, graças a Deus. Os prediletos são: brócolis, quiabo, couve, couve-flor, abóbora e cenoura. E todas as "bolinhas": grão-de-bico, ervilha, soja, feijão branco e o que mais houver, além das frutas, claro: manga, kiwi, laranja, acerola, pitanga, amora, banana... Ele também pega folhas de hortelã na horta e come ali mesmo, direto da rama para a boca! Não é digno de ser filmado para passar na TV todos os dias?
  • Ontem quando eu chegava em casa o meu irmão me deu um susto ao se aproximar por trás sem que eu esperasse. Na hora do susto eu falei: "Marcos, que susto! Quer me matar do coração?" Depois, quando já estávamos dentro de casa o Davi falou: "O titio Marcos 'venhou' pra matar o coração da mamãe!"

segunda-feira, 21 de setembro de 2009

Calango!

Outro dia o pai do Davi chegou em casa com um presente! Um calango feito de espuma, grandão, verde, leve, com língua vermelha que parece de cobra e um rabo enorme. O brinquedo é manipulado por meio de um arame que fica amarrado no pescoço do bicho como se fosse uma coleira em um cachorrinho. Muito legal, mas o Davi apesar de ter adorado ficou morrendo de medo! Por mais que insistissem (estavam com ele além do pai o avôdrasto) ele não se atrevia a colocar a mão no "bicho" de jeito nenhum. Dizia que tinha medo e encolhia a mãozinha. Não era pra menos, afinal como o brinquedo é muito bem feito ele realmente se parece com um animal de verdade (respeitando as devidas proporções). Na imaginação do Davi aquilo era um bichão e é lógico que ele não arriscaria a mão dele ali por nada. Eu ouvia da cozinha, enquanto fazia o almoço, toda a movimentação que acontecia na sala ao lado e me divertia.
Apesar de estar encantado com o calango e dar muitas risadas quando os adultos o manipulavam nada fazia o Davi mudar de idéia. Disseram que era de espuma, que era só um brinquedo, pegaram no bicho pro Davi ver e nada do menino se animar a tocar no calango,  - "Olha Davi o vovô está pegando no calango, pode pegar também", dizia o vôdrasto. - "Davi tem medo!" era a resposta do Davi. - "É de espuma Davi, olha aqui o papai brincando com ele, vamos passa a mãozinha", dizia o pai. -"Davi tem medo", era a resposta insistente do outro lado. Até que o pai resolveu apelar pra chantagem emocional e falou com voz manhosa: - "Ô Davi é um presente que o papai tá te dando!" Desta vez o Davi foi categórico e acabou com a conversa: - "Davi não quer presente não!"

quarta-feira, 16 de setembro de 2009

The sun arises early!

Não está dando tempo de escrever aqui no blog, apesar de momentos lindos e intensos não faltarem. Afinal, nossos dias começam bem cedo.
Hoje por exemplo, as 5h45 (sim, da matina!) o Davi me acordou! Eu tentei dormir um pouco mais e disse pra ele que estava muito cedo, que ainda estava escuro, que era hora de dormir. Ele, lindo como sempre (!), compreendeu e não veio para a minha cama. Ficou lá na caminha dele, quietinho. Mas na vida de uma criança de 1 ano e 8 meses um minuto pode demorar uma eternidade quando se trata de esperar. Tanto que castigo, por exemplo, só deve ser dado na medida de um minuto equivalente a cada ano de vida, ou seja, o Davi quando vai para o castigo não fica nem dois minutos.
Então daí a pouco ele começou a falar e a puxar conversa, indiretamente, pois não chamava por mim. Continuou lá na caminha dele, mas foi falando, com voz baixa, nomes de animais e dos bichinhos de pelúcia. Depois falou que o Davi ia dormir e ficou caladinho por acredito que quase dois minutos enquanto realmente se esforçou para dormir e obedecer o que eu havia pedido. Mas o sono já tinha mesmo ido embora. Ele se levantou, veio até minha cama, me deu um beijo e com voz baixa e um sorriso cativante perguntou: - Mamãe já acordou? Davi quer mamar! E ainda me beijou de novo!
Resultado: antes das seis da manhã estávamos brincando e rindo e curtindo o solzinho fraco que despontava no horizonte. Que mãe resiste a isto?


quarta-feira, 19 de agosto de 2009

Na gruta

Outro dia fui com o Davi a uma gruta aqui perto de casa. É um lugar religioso, onde se reza o terço e tem imagem de Nossa Senhora de Itaúna. A gruta foi fundada em homenagem à aparição de Nossa Senhora ali naquele local para algumas crianças (já reparou que santos, anjos e afins sempre aparecem para crianças? Se eu fosse santa também escolheria os pequenos, são tão melhores do que os adultos!). Enfim, eu gosto muito de ir à gruta porque lá tem uma atmosfera muito agradável, uma energia positiva mesmo. É como uma praça, mas sem carros em volta, cercada de árvores frondosas e de silêncio meditativo. Adoro!
Sempre que levo o Davi lá, nós vamos até os pés da Virgem onde tem uma gotejante mina d'água. Eu pego algumas gotas desta água (dizem que é curativa e milagrosa) e passo em oração na testa do Davi. É um ritual de proteção, carinho e muita intimidade e fé na entidade religiosa ali representada.
Da última vez, entretanto, eu deixei que o Davi pusesse a mãozinha dele lá debaixo da água. Fiquei orando e admirando aquela mãozinha pura recebendo aquela água benta. Então o Davi esperou alguns segundos, levou a mão molhada na cabeça (um pouco acima da testa) e exclamou triunfante antes de me olhar com um sorriso vitorioso: - Shampoo!
Acho que até a santa riu um pouquinho!

quinta-feira, 13 de agosto de 2009

Gripe

Ufa, as duas últimas semanas não foram fáceis. Estou estressada.
Pela primeira vez vi o meu filho sentindo dor, passando mal, sem forças para brincar, apático mesmo... Doeu muito mais em mim.
Desde que nasceu, esta foi a primeira gripe séria do Davi. E o pior é que o transmissor do vírus foi, voluntariamente (!), o pai dele. Eu tenho que deixar isto registrado aqui porque provavelmente tratarei do assunto pai em outras oportunidades e porque aqui eu não escondo nada. Que raiva. Ele não mora conosco. Ele me ligou na segunda-feira avisando que não viria porque estava passando mal de gripe. E na terça-feira seguinte aqui estava ele com a voz fanhosa, tossindo, os olhos avermelhados... Eu disse pra ele voltar porque obviamente ainda estava muito gripado (nunca ouvi falar de uma gripe que surgisse em um dia e desaparecesse no outro!). Mas ele bateu o pé e jurou contra todas as evidências que não estava mais gripado, que já estava bem. Ele fez pra me provocar. Na quarta-feira, voltou. Com todos os sintomas ainda. Na quinta-feira o Davi amanheceu com o peito cheio e tossindo. Na sexta-feira, quando fomos para Piracema para o aniversário da Dedé e da vovo Zizita, o Davi teve febre.
Foi muito ruim. A febre da sexta-feira foi mais branda, mas como estávamos em um ambiente diferente do que ele está acostumado eu dei tylenol bebê logo nos primeiros sintomas. Ele tolerou bem, brincou com o priminho e curtiu a festa da Dedé numa boa. Mas, claro, eu tomei todas as precauções para evitar friagem - o agasalhei bem inclusive com capuz e vesti três camadas de roupas por baixo para esquentar o peito.
No sábado ele não teve febre mas não estava com a tradicional disposição para aproveitar a roça que ele tanto gosta. Claro que se divertiu e brincou, chamou os bois, foi no pasto com o vovô (quando o sol estava mais brando), escutou os macacos, foi debaixo da árvore de jatobá... mas quis dormir bem mais cedo - as seis e meia o Davi já estava pedindo para dormir. No domingo nós passamos na casa da vovó Zizita pela manhã para cumprimentá-la pelo aniversário de 89 anos. Foi muito lindo ver o Davi e a vovó brincando. Duas crianças maravilhosas! Depois do almoço eu aproveitei que o Davi costuma dormir e voltamos para casa. Aí na tarde de domingo ele já ficou mais prostradinho e as seis e meia já estava dormindo. Também, graças a Deus, sem febre.
Na segunda-feira eu tive de levá-lo ao médico no início da tarde. Fiquei preocupada pois a tosse aumentara bastante assim como o catarro e, principalmente, a prostração. O Davi estava até com os olhos abatidos pela gripe e na noite de domingo para segunda ele chegou a roncar por causa do nariz entupido. No exame, o pediatra dele me tranquilizou: "um resfriado sem maiores complicações". Receitou um descongestionante para o excesso de catarro e que ficasse de olho caso tivesse febre persistente. Eu dei o Descon logo que chegamos em casa para garantir que naquela noite ele dormiria melhor. Deixei o Davi com a babé e fui para o computador trabalhar em meus projetos. Cancelei a reunião na casa de minha sócia até que o Davi melhorasse. Por volta de cinco da tarde o Davi estava com febre alta (38,3 graus) e muito prostrado. Novamente dei o tylenol bebê e não arredei de perto dele. As seis e meia já estava dormindo. Graças a Deus não teve febre novamente.
Na terça-feira eu deveria continuar com o tal Descon mas achei melhor parar naquela dose única. Primeiro porque li na bula que o remédio não havia sido testado ainda em crianças com menos de dois anos de idade e portanto não era recomendável; segundo porque eu achei que ele ressecou demais as vias aéreas e não vi necessidade de continuar. A prostração continuou embora mais leve. Novamente não fui trabalhar e fiquei por conta dele. Novamente dormiu as seis e meia. Ainda com muita tosse e muto catarro.
Na quarta-feira o Davi já dava sinais de melhora. Já estava bem mais animado para brincar e sorrir aquele sorriso que ilumina cada canto de minha alma. Apesar disso ainda estava longe de ser o Davi de todos os dias. A gripe o deixou extremamente apegado a mim. O Davi não queria se separar de mim nem por um minuto e eu também me sentia mais segura ficando ao lado dele durante todo o tempo. Isto aumentou muito o meu cansaço pois eu não conseguia relaxar. Depois que o Davi dormia eu tentava fazer o trabalho atrasado, mas não conseguia ficar acordada até muito mais tarde nem render o suficiente para deixar tudo em dia. Resultado: ia dormir preocupada com o Davi, com o trabalho e, consequentemente com uma raiva enorme do pai dele, que provocou toda esta situação.
Aliás, ele foi o tradicional covarde que eu já esperava. Teve a cara-de-pau de ligar no sábado (ele não sabia que tínhamos ido para Piracema mas sabia da gripe que passou para o menino porque eu o informei) querendo buscar o Davi pra levar no encontro de motos da cidade. Haja paciência. Eu falei do estado em que o Davi se encontrava, da febre que teve na sexta-feira e ele nem ligou! Que ódio. Cada vez que eu olhava para o meu filho e o via sofrendo meu ressentimento e mágoa só aumentavam. O pai dele só foi ligar novamente na segunda-feira, mas eu não consegui nem atender pois eu seria capaz de falar coisas que não deveria.
A melhora do Davi foi progredindo aos poucos, mas ele só conseguiu se livrar da tosse, do catarro e do nariz escorrendo na terça-feira desta semana. Aí foi a babá dele que gripou e pegou três dias de licença médica. Ou seja, quando eu pensei que conseguiria colocar minha vida em dia eu tive de parar novamente. O pai dele só apareceu no final de semana para aproveitar o "dia dos pais". Eu sinto muito pelo meu filho e faço um esforço sobre-humano para não falar para o Davi tudo que eu penso sobre o pai dele. Pelo contrário, neste episódio, por exemplo, eu disse para o Davi que o pai dele tem limitações e faz coisas erradas, como todas as pessoas, e que a gente tem que ter paciência com ele, mas que um dia ele vai aprender, como todas as pessoas. E sabe quem pagou a conta toda sozinha? Claro que fui eu. O pai dele está "sem dinheiro", coitadinho! Onde eu estava com a cabeça quando me envolvi com este tipo?
Mas c'est la vie pelo menos o Davi já está fazendo bagunça a todo vapor novamente e com muita saúde! Graças a Deus!

quinta-feira, 30 de julho de 2009

zzzzzzzzzzzzzzzzzzzz...

Existe amor maior?
Ver meu filho acordar, vê-lo crescer, se tornar independente, observar a cada dia que passa a personalidade dele se delineando.
Todos os dias coloco o Davi pra dormir e quase que rotineiramente acabo dormindo junto - as vezes desconfio de que é ele quem está me colocando para dormir.
Procuro seguir uma rotina de horários, para facilitar a vida para ele e para mim. Desta forma o relógio biológico dele já 'pede' para dormir quando vai chegando a hora. E ele mesmo já sabe quando é tempo de ir pra cama. Por exemplo: depois do almoço a siesta é infalível. Assim que acabamos de almoçar, minha mãe adora perguntar para o Davi o que ele vai fazer e ele responde: Dormir! Assim, simples.
Dorme cerca de uma hora e meia a duas horas depois do almoço. Seguindo sempre a rotina: escovar os dentes e dormir. Ele aproveita para mamar (no peito) até cair no sono - eu e ele! A diferença é que eu tenho que acordar mais cedo (quem me dera eu pudesse desfrutar de uma soneca de duas horas!).
À noite o horário é em torno de 20h. Dependendo do ritmo das atividades do dia, ou se o tempo da soneca da tarde foi mais curto, o sono vem mais cedo. Nesta hora o Davi gosta de ficar conversando, que eu leia historinhas nos livrinhos dele, ou simplesmente uma massagensinha nos pés e músicas para dormir. É um ritual lindo que eu amo fazer.
Este quadro de Klimt reflete tão bem meus sentimentos que vou deixar a imagem falar por mim.

sexta-feira, 24 de julho de 2009

Na cozinha com Davi

Sempre faço o almoço com o Davi ali por perto, tirando panelas do armário, batendo uma tampa na outra, empurrando o cesto de frutas e legumes como se fosse um carrinho... Ele está acostumado com o ambiente da cozinha e sabe que não pode chegar perto do fogão senão queima e que o fogão é perigoso. Às vezes me pede para comer um ou outro legume que estou cortando, outras vezes pede para comer coisas que é melhor esperar cozinhar. Eu falo pra ele que está cru, outras vezes que tem que cozinhar primeiro. Ele fica me olhando com aquela carinha angelical e aqueles olhos grandes e pretos destacando no rostinho de pele clara emoldurado por cabelos loiros. Eu fico em dúvida se ele entendeu o que eu disse.
O Davi está na fase de colocar tudo na boca pra sentir o sabor. Outro dia comeu um pedaço de sabonete. Antes que eu pudesse fazer qualquer coisa ele olhou pra mim com uma cara de que não gostou e exclamou: - tá cru! Eu quase morri de rir com a criatividade e a conexão do pensamento dele em associar o sabor ruim do sabonete com a minha advertência de que a comida estava crua!
Em outra ocasião ele, que ainda mama no meu peito, me pedia insistentemente para mamar. Como não estávamos em um local e nem em um horário apropriado eu neguei com a mesma persistência. Então o Davi chegou a uma conclusão que expressou prontamente: A mamãe vai cozinhar o mamá!
Filhos, alegria de viver!

terça-feira, 21 de julho de 2009

Formigas e filosofia de vida

Eu tento ensinar ao meu filho valores que considero importantes para mim. Por exemplo: respeitar a natureza. É difícil transmitir o conceito de respeito para uma criança de um ano e meio de idade, mas acredito que nossas ações também servem como referencial. Então eu estou sempre tentando demonstrar ao meu filho gestos que refletem este conceito em minha vida.
Outro dia eu tive uma surpresa. O Davi viu uma formiguinha e foi correndo buscar um chinelinho e disse: matar, matar! E partiu pra cima da inocente. Eu não acreditei que vi o meu bebê pronunciando aquelas palavras e fiquei mais assustada ainda com o gesto certeiro da chinelada na formiga! Eu tentei lhe ensinar que a formiguinha estava sofrendo e que não poderia fazer aquilo. Então ele viu outra formiga e partiu pra cima: matar, matar! Antes que eu pudesse impedir, a pobrezinha já estava se contorcendo. Daí meu filho disse: Coitadinha!
O jeito foi rever minhas próprias atitudes e reconhecer que eu sou uma matadora de formigas. Respeito o espaço delas quando estão ao ar livre ou em algum lugar da casa em que não incomodem tanto. Entretanto, quando estão na minha área sou certeira como o Davi. Para evitar que meu filho se sentisse culpado a cada chinelada que ele der estou tentando ensinar a não ser radical. - "Só pode matar formigas quando elas invadirem nosso espaço."
Os filhos ensinam muito mais sobre nós do que imagina nossa vã filosofia!

sexta-feira, 17 de julho de 2009

Eu amo!

Eu e meu espaço virtual

Não escrevo para ser seguida. Escrevo para deixar registrado meu sentimento em algum lugar além do papel higiênico onde rascunho algumas idéias e nunca mais passo a limpo.
Escrevo talvez para que meu filho um dia possa ler e estou cansada de encher diários e agendas que depois se tornam ilegíveis seja pela falta de organização ou pela simples dificuldade de ir passando páginas em branco até chegar em algo que faça sentido.
Escrevo para desabafar...
Acima de tudo pretendo escrever sobre o meu filho, registrando frases e momentos que não quero que se percam na minha fraca memória.
Escrevo porque me habituei...