quarta-feira, 19 de agosto de 2009

Na gruta

Outro dia fui com o Davi a uma gruta aqui perto de casa. É um lugar religioso, onde se reza o terço e tem imagem de Nossa Senhora de Itaúna. A gruta foi fundada em homenagem à aparição de Nossa Senhora ali naquele local para algumas crianças (já reparou que santos, anjos e afins sempre aparecem para crianças? Se eu fosse santa também escolheria os pequenos, são tão melhores do que os adultos!). Enfim, eu gosto muito de ir à gruta porque lá tem uma atmosfera muito agradável, uma energia positiva mesmo. É como uma praça, mas sem carros em volta, cercada de árvores frondosas e de silêncio meditativo. Adoro!
Sempre que levo o Davi lá, nós vamos até os pés da Virgem onde tem uma gotejante mina d'água. Eu pego algumas gotas desta água (dizem que é curativa e milagrosa) e passo em oração na testa do Davi. É um ritual de proteção, carinho e muita intimidade e fé na entidade religiosa ali representada.
Da última vez, entretanto, eu deixei que o Davi pusesse a mãozinha dele lá debaixo da água. Fiquei orando e admirando aquela mãozinha pura recebendo aquela água benta. Então o Davi esperou alguns segundos, levou a mão molhada na cabeça (um pouco acima da testa) e exclamou triunfante antes de me olhar com um sorriso vitorioso: - Shampoo!
Acho que até a santa riu um pouquinho!

quinta-feira, 13 de agosto de 2009

Gripe

Ufa, as duas últimas semanas não foram fáceis. Estou estressada.
Pela primeira vez vi o meu filho sentindo dor, passando mal, sem forças para brincar, apático mesmo... Doeu muito mais em mim.
Desde que nasceu, esta foi a primeira gripe séria do Davi. E o pior é que o transmissor do vírus foi, voluntariamente (!), o pai dele. Eu tenho que deixar isto registrado aqui porque provavelmente tratarei do assunto pai em outras oportunidades e porque aqui eu não escondo nada. Que raiva. Ele não mora conosco. Ele me ligou na segunda-feira avisando que não viria porque estava passando mal de gripe. E na terça-feira seguinte aqui estava ele com a voz fanhosa, tossindo, os olhos avermelhados... Eu disse pra ele voltar porque obviamente ainda estava muito gripado (nunca ouvi falar de uma gripe que surgisse em um dia e desaparecesse no outro!). Mas ele bateu o pé e jurou contra todas as evidências que não estava mais gripado, que já estava bem. Ele fez pra me provocar. Na quarta-feira, voltou. Com todos os sintomas ainda. Na quinta-feira o Davi amanheceu com o peito cheio e tossindo. Na sexta-feira, quando fomos para Piracema para o aniversário da Dedé e da vovo Zizita, o Davi teve febre.
Foi muito ruim. A febre da sexta-feira foi mais branda, mas como estávamos em um ambiente diferente do que ele está acostumado eu dei tylenol bebê logo nos primeiros sintomas. Ele tolerou bem, brincou com o priminho e curtiu a festa da Dedé numa boa. Mas, claro, eu tomei todas as precauções para evitar friagem - o agasalhei bem inclusive com capuz e vesti três camadas de roupas por baixo para esquentar o peito.
No sábado ele não teve febre mas não estava com a tradicional disposição para aproveitar a roça que ele tanto gosta. Claro que se divertiu e brincou, chamou os bois, foi no pasto com o vovô (quando o sol estava mais brando), escutou os macacos, foi debaixo da árvore de jatobá... mas quis dormir bem mais cedo - as seis e meia o Davi já estava pedindo para dormir. No domingo nós passamos na casa da vovó Zizita pela manhã para cumprimentá-la pelo aniversário de 89 anos. Foi muito lindo ver o Davi e a vovó brincando. Duas crianças maravilhosas! Depois do almoço eu aproveitei que o Davi costuma dormir e voltamos para casa. Aí na tarde de domingo ele já ficou mais prostradinho e as seis e meia já estava dormindo. Também, graças a Deus, sem febre.
Na segunda-feira eu tive de levá-lo ao médico no início da tarde. Fiquei preocupada pois a tosse aumentara bastante assim como o catarro e, principalmente, a prostração. O Davi estava até com os olhos abatidos pela gripe e na noite de domingo para segunda ele chegou a roncar por causa do nariz entupido. No exame, o pediatra dele me tranquilizou: "um resfriado sem maiores complicações". Receitou um descongestionante para o excesso de catarro e que ficasse de olho caso tivesse febre persistente. Eu dei o Descon logo que chegamos em casa para garantir que naquela noite ele dormiria melhor. Deixei o Davi com a babé e fui para o computador trabalhar em meus projetos. Cancelei a reunião na casa de minha sócia até que o Davi melhorasse. Por volta de cinco da tarde o Davi estava com febre alta (38,3 graus) e muito prostrado. Novamente dei o tylenol bebê e não arredei de perto dele. As seis e meia já estava dormindo. Graças a Deus não teve febre novamente.
Na terça-feira eu deveria continuar com o tal Descon mas achei melhor parar naquela dose única. Primeiro porque li na bula que o remédio não havia sido testado ainda em crianças com menos de dois anos de idade e portanto não era recomendável; segundo porque eu achei que ele ressecou demais as vias aéreas e não vi necessidade de continuar. A prostração continuou embora mais leve. Novamente não fui trabalhar e fiquei por conta dele. Novamente dormiu as seis e meia. Ainda com muita tosse e muto catarro.
Na quarta-feira o Davi já dava sinais de melhora. Já estava bem mais animado para brincar e sorrir aquele sorriso que ilumina cada canto de minha alma. Apesar disso ainda estava longe de ser o Davi de todos os dias. A gripe o deixou extremamente apegado a mim. O Davi não queria se separar de mim nem por um minuto e eu também me sentia mais segura ficando ao lado dele durante todo o tempo. Isto aumentou muito o meu cansaço pois eu não conseguia relaxar. Depois que o Davi dormia eu tentava fazer o trabalho atrasado, mas não conseguia ficar acordada até muito mais tarde nem render o suficiente para deixar tudo em dia. Resultado: ia dormir preocupada com o Davi, com o trabalho e, consequentemente com uma raiva enorme do pai dele, que provocou toda esta situação.
Aliás, ele foi o tradicional covarde que eu já esperava. Teve a cara-de-pau de ligar no sábado (ele não sabia que tínhamos ido para Piracema mas sabia da gripe que passou para o menino porque eu o informei) querendo buscar o Davi pra levar no encontro de motos da cidade. Haja paciência. Eu falei do estado em que o Davi se encontrava, da febre que teve na sexta-feira e ele nem ligou! Que ódio. Cada vez que eu olhava para o meu filho e o via sofrendo meu ressentimento e mágoa só aumentavam. O pai dele só foi ligar novamente na segunda-feira, mas eu não consegui nem atender pois eu seria capaz de falar coisas que não deveria.
A melhora do Davi foi progredindo aos poucos, mas ele só conseguiu se livrar da tosse, do catarro e do nariz escorrendo na terça-feira desta semana. Aí foi a babá dele que gripou e pegou três dias de licença médica. Ou seja, quando eu pensei que conseguiria colocar minha vida em dia eu tive de parar novamente. O pai dele só apareceu no final de semana para aproveitar o "dia dos pais". Eu sinto muito pelo meu filho e faço um esforço sobre-humano para não falar para o Davi tudo que eu penso sobre o pai dele. Pelo contrário, neste episódio, por exemplo, eu disse para o Davi que o pai dele tem limitações e faz coisas erradas, como todas as pessoas, e que a gente tem que ter paciência com ele, mas que um dia ele vai aprender, como todas as pessoas. E sabe quem pagou a conta toda sozinha? Claro que fui eu. O pai dele está "sem dinheiro", coitadinho! Onde eu estava com a cabeça quando me envolvi com este tipo?
Mas c'est la vie pelo menos o Davi já está fazendo bagunça a todo vapor novamente e com muita saúde! Graças a Deus!